quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Enciclopédia do utópico, um dicionário do amor
A inocência de um enlace de das mãos, segurando firme umas as outras. A inocência da época em que só aquele aperto bastava para o conforto de duas almas, em um mundo onde beijos e sexo eram coisas completamente inexistentes. Essa inocência sim, as pessoas nunca esquecem, ou deveriam nunca esquecer, mas que infelizmente parecem que aconteceram em outro mundo. Um mundo onde apenas um olhar já garantia a da existência de um amor.
Por que esse mundo agora é tão diferente? Nesse mundo antigo, o coração nunca cansava de bater. Ele sempre estava lá, forte e resistente, exaltado só em ouvir o nome da pessoa amada. O mundo bastava só de um estar na presença um do outro. O ciúme era apenas uma coisa desconhecida que fazia o coração doer quando estávamos com outros alguéns, e não esse monstro que hoje arruina tantas vidas. Os olhares eram cheios de um inocente querer, e não esses voluptuosos olhares de arrancar pedaço.
Mas no fundo o que me faz sentir saudade da inocência é esse amor verdadeiro, sem vergonha de demonstrar ou querer, e que apesar de tantos anos a gente nunca esquece e que dentro do nosso coração nunca deixa de existir.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
O Triângulo
Nessas histórias os envolvidos nunca querem protagonizar a história de ciúmes de Otelo e Desdemona, mas em todos os casos, é assim que esse sentimento funciona, é um espetáculo de matar ou morrer. Um dos ponteiros nunca vai alcançar o outro nessa luta de rodar e impressionar o pino, o que as pontas fazem com o nó sempre será prejudicial tanto para o nó, quanto para as pontas e no triângulo, as nunca haverá um encontro entre os vértices. Uma ponta sempre tentará jogar a outra no ostracismo, e é difícil a coexistência de amizade e amor nessas situações. Tudo é esquecido e deixado para trás.
Mas, apesar de tudo o que digam, de todos os defeitos que existam nesse estranho sentimento, ele não é de todo ruim. No fundo, ele só está ali inocentemente escondido, querendo sair para brincar de vez em quando. E é quando essa “brincadeira” acontece, que nós vemos que por trás de todo esse mar de inveja, choros, ataques e ciúmes, na verdade os ponteiros tem um coração, e que eles querem demonstrar da forma mais peculiar possível que só eles podem fazer o pino ser na realidade o homem mais feliz do mundo.
domingo, 16 de outubro de 2011
Trust me, I trust you.
Quero começar este texto, fruto de algumas horas de devaneios, com uma pergunta...
O que você acha de ir comigo para a cidade açucarada? Não seria legal? Neve em forma de sorvete de baunilha e pequenos lagos de limonada. Seria perfeito...Combinaria com a composição dos nossos corações de gelatina, não acha? Além de perfeito, impediria a entrada daqueles intrusos que não suportam a doçura da vida, e que se veriam presos por suas longas vestes em nosso chão melado.
E que tal um poço dos desejos? Onde cantaríamos nossos versos, que ecoariam em sua profundeza, se misturando com o som dos nossos batimentos acelerados e envolventes. O que me diz de uma fábrica enorme de macarrão? A massa depois de muito batida e bem preparada se extinguiria em nossas bocas e na de nossos frequentes convidados que nunca teriam nomes esdrúxulos.
Ao fim do dia poderíamos dançar na chuva enquanto eu sussurrasse palavras doces ao seu ouvido, minhas negras madeixas se misturando com sua pele alva que facilmente se arrepiaria ao toque nos meus lábios quentes. Seria inteiramente sua. Cada célula desse corpo imperfeito sob sua inteira responsabilidade. “confio em você”, eu diria sempre. Confio o suficiente para me entregar e caminhar com você em direção a esse mar de incertezas.
Afinal, ao seu lado, em nossa cama pequena, eu sei, eu sinto, que tudo vai dar certo e que enfim estamos onde deveríamos estar.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
(O morro dos ventos uivantes - Emily Brontë)
sábado, 8 de outubro de 2011
você me completa, amor
Quando eu paro pra pensar nos motivos, eu não entendo. Eu acho que estava apaixonada, acho que fiquei assustada com tudo isso, eu não sei. Eu não queria admitir. E agora, de novo, eu não quero admitir isso, mas eu sei que te perdi. Eu sei, eu vejo isso. Eu não sou mais a sua pequena, eu não sou mais a cor da tua vida. Nos seus olhos eu sou só uma pessoa orgulhosa demais, confusa demais.
Mas do fundo do meu coração, se eu pudesse voltar no tempo, eu voltava. E eu seria sua namorada, sua irmã, seu chão, tudo o que você quisesse, porque hoje eu vejo que tudo o que bastava na minha vida era estar ao seu lado.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Cão Maior
— Sentirei sua falta. — disse inconsolável, com a cabeça entre os joelhos.
"Não vai." — replicou a voz em sua cabeça.
— Ela se foi. Não poderei mais te ouvir. — a emoção escorria-lhe pelos olhos.
"Não é tão simples assim, pequeno." — ela insistiu. — "Os brilhos de outras luzes ofuscarão a tua vista, mas você não vai se livrar dos meus assim tão fácil."
— Eu não quero mais ninguém. — retrucou levantando a cabeça triunfante.
" Por enquanto." — e sumiu.
— Você está aí? — perguntou a esmo.
"Sempre."
— Não senti sua falta. — disse receoso.
"Entende o porquê?" — perguntou, amistosa.
— Entendo. Sempre esteve comigo. — esclareceu.
"Sempre." — respondeu, feliz.
— Mas coisas mudaram. — disparou.
"Sim." — sem deixar de parecer feliz.
— Não sentirei a sua falta. — disse, cabisbaixo mais uma vez.
"Entendo. De qualquer forma, ainda estarei aqui."
— Essa é a pior parte. — triste, disse.
"Até."