sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Gritos

Silêncio.
Cale-se! - Diz o cego.
Faz-se ouvir do outro lado da margem que nunca foi vista.
Faz-se ouvir sozinho o eco.

Mudo não fala.
Mudos, ninguém fala nada.
O cego impõem a voz.
Dita o que fazer para uma população que nunca o questionou.
Dita para quem tem, o que ele deveria saber que tinham.

O reinado pela imposição. O reinado da voz.
Em reino de cego, quem não fala não governa.
O povo obedece fielmente o rei.
Mas eles cuidam de quem mais precisa.

Eles cuidam de seus olhos e suas bocas, para cuidarem do rei.
Gritam para que ele os veja.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Significado e Significante

But don't think its too late.

Nothing's wrong
just as long
as you know that someday I will.

Someday, somehow,
I'm gonna make it alright but not right now.
I know you're wondering when.
(You're the only one who knows that)
Someday, somehow,
I'm gonna make it alright but not right now.
I know you're wondering when.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Felipe

Hmm....

"- Acho que já é mais do que tempo de explicar para que diabos esse blog serve, né?
- Explicar pra quem? Só tem uma pessoa te seguindo, e assim como você e eu sabemos que ela está sem internet há séculos, ela também não lê as postagens daqui há muito mais tempo.
- Explicar para você."

Bem, é exatamente por esse motivo, representado acima, que eu estou fazendo esse blog.

*Rufem os tambores*

Porque existem dois Felipes
O Felipe que vai cantar uma música para te roubar um sorriso.
E o Felipe que vai xingar o calor e não ligar para nada ao redor.

Um Felipe que eu tento ser e o Felipe que tenta ser eu.
Mas não deixo de gostar ou desgostar de nenhum deles.

De um Felipe de qualidades e esperanças,
do outro um Felipe de defeitos e preconceitos.
A diferença é que ambos estão no mesmo corpo.
E brigam dentro de mim.

Contudo, o Felipe que tenta ser eu tem tido muito espaço, com muito mais frequência. E isso é ruim, desequilibra o Felipe, no geral.
Pois é, aqui será somente o Felipe sonhador, argumentando e contra-argumentando contra o outro. Afinal, ele é tão Felipe, quanto o outro jamais deixará de ser.

Contudo, Todavia, Entretanto, não será absurdo encontrar por vezes o outro Felipe em algumas palavras...
Afinal, quem escreve isso é o maluco do Felipe, né?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Menos do que palavras

Cruéis, irreversíveis, ditadoras ou bonitas.
Xulas, afetuosas, rudes, bem ou malditas.

São palavras e não mais do que isso.
Palavras não ferem. Palavras não brigam.
Palavras te socam como um ouriço
e como aranhas, não te mastigam.

São só palavras afinal
Maleáveis, como tal
Inútil, desnecessária, banal
Não mudarão o final
Como posso dizer que é irracional?
Não passam de um mero sinal!!
Infernal!
Divinal!
Além do real,
Meramente sentimental...

Palavras não ferem. Palavras não brigam.
Palavras significam menos do que palavras.

Palavras são apenas a parte... instrumental.
O problema é o intencional.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Confiança

Ela disse adeus.
Não foi um adeus daqueles de cinema. Não será mais um coração partido, caído, reprimido pelas palavras de uma boca. Mas não foi um adeus daqueles de se ouvir como normal. Não será mais uma despedida corriqueira, cotidiana, comum, oca. É só mais um adeus que vai pesar muito em algum momento. Um adeus que eu não vou saber até onde aguentar.
Mas não se pode evitar.
A má aventura da vida é saber que o errado é o que cria o certo. Nos mínimos detalhes se faz peso suficiente para que o outro lado não se sobressaia. Nos pequenos detalhes onde vemos coisas tão numerosas quanto o que podíamos ver antes. O equilíbrio aonde nada mais importa. Mas importa tanto que nos importamos.
Esse é o planeta terra. Esses são os humanos. Essa é a química que acontece em tudo que o mundo consegue pegar com seus longos braços da gravidade.
Então eu sei que o adeus, trás a despedida.
Mas, vendo com outros olhos, o que mais posso esperar agora, além do retorno de quem se sente falta?
Ficou longe tempo suficiente para eu saber que vai voltar à tempo e ainda não será tarde demais.
Se duvida, sente-se, espere e verá.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Somente eles...

Acho que não sou capaz de me organizar em pensamentos.
Eles são sempre tão confusos e diferentes. Escrevo sobre algo e já me vejo puxando outra coisa.
Às vezes eu tento justificar essa arritmia para mim mesmo. Os pensamentos são fluidos pulsantes e contínuos. Pulsos que fluem em um só sentido, na mesma direção e com a mesma velocidade. Você provavelmente conseguirá acompanhá-los por um tempo, e conseguirá fazê-los pararem no mesmo lugar, mas logo ele vai escapulir, assim como nadam os polvos.
Eles são ditadores, reis e imperadores da mesma coisa. Fluem pela sua cabeça devastando qualquer vestígio de escapatória. Não há como fugir deles. Eles são importantes, únicos e infalíveis. Não se pára de pensar. Talvez nem após a morte, quem saberá? Não se poder deter o fluxo. O máximo que se pode fazer é submetê-los ao mesmo rio, ao mesmo assunto. Pensar sobre a mesma coisa.
É isso que faz da dor, um vírus de multiplicação extra-veloz. A capacidade de fundir os pensamentos na mesma coisa.
O que há além dos pensamentos?
Nada.

Falta

O que é a saudade?
Simples, uma emoção, que te remete a sentir falta de algo que você já não tem mais.
Isso responde a pergunta.
Mas não responde as perguntas.
Sentir falta e sentir saudade é a mesma coisa?
Eu sinto sua falta. Eu sinto saudades de você.
Você provoca isso em mim. Eu sinto isso de você.
Não importa. Mas não diga que não importa mais. Sempre será importante para mim. Não me acostumei com seus adeuses repetidos, mas quero sempre saber que você está de volta. Não seria tão mais fácil se você pudesse voltar sem ter ido?
Saudade de uma coisa assim. Saudades do que me fazia feliz cada dia após o outro. Éramos só nós dois. Não tinha mais ninguém. Se tinha, não importava tanto. Agora, de uma noite ao dia seguinte, somos três. Somos cinco. Somos Sete. Somos todos eles e elas.
Alguém terá de sair.
Espero que não precisemos sentir falta destes.